As interpretes das filhas de Robin Williams em "A Babá Quase Perfeita", Mara Wilson e Lisa Jakub, prestaram homenagem ao falecido ator por meio de seus respectivos blogs pessoais. Fãs também lembraram do astro em casa que serviu de locação para o longa em San Francisco.
Mara Wilson tinha apenas seis anos de idade quando entrou no set em 1992 para viver Natalie, a filha mais nova da família Hillard em "Uma Babá Quase Perfeita". Depois de recusar algumas entrevistas na TV americana, ela, que atualmente tem 27 anos e não atua mais, resolveu fazer isso através de um post em seu blog:
"Todo mundo sofre na sua jornada. Quando ouvi sobre a morte de Robin, fiquei chocada, confusa, nervosa, com pena e, sobretudo, triste. Tudo o que queria era conversar com meus familiares e amigos e chorar. Algumas equipes de reportagem perguntaram se eu queria falar sobre ele no ar, e como gosto de dar entrevistas, sabia que não estava numa boa posição para fazer isso. Eu continuo (três dias depois) não querendo fazer nada. É muito cedo, e preciso do meu tempo para compreender isso tudo. Eu vou, entretanto, compartilhar algumas memórias com ele neste blog em breve", contou Mara em seu site pessoal.
"Embora eu e Robin não tivéssemos conversado nos últimos anos, não há dúvidas de que ele teve um impacto em minha vida. Ele foi acolhedor e talentoso, como todo mundo disse, e agradável com todos ao redor. É como se o meu professor favorito tivesse morrido."
Lisa Jakub, que interpretou a filha mais velha Lydia Hillard e que atualmente tem 35 anos, revelou em seu blog um momento muito especial que passou durante as filmagens, quando Robin Williams escreveu uma carta para sua escola pedindo que voltassem atrás em sua expulsão, que tinha ocorrido por causa de suas faltar para gravar o longa.
Confira o que Lisa postou em seu blog:
"Robin Williams morreu hoje.
Parece surreal escrever sobre isso.
Mas como escrever é minha maneira de processar o incompreensível — eu me peguei escrevendo.
Todo mundo está compartilhando do Twitter, no Facebook e falando no rádio sobre o quão talentoso Robin Williams era.
Sim. Ele era. Mas não era isso que eu amava nele. Era o fato de ele ser um ser humano incrivelmente gentil.
Quando eu tinha 14 anos, eu frequentava as locações de “Uma babá quase perfeita” por cinco meses, e minha escola não gostava disso. Meu emprego significava mais trabalho para meu professores, e eles não estavam preparados para lidar com uma estudante que não era tradicional. Então, durante as gravações, eles me expulsaram da escola.
Foi devastador, aos 14 anos, ver sua educação formal acabar desta maneira. Eu me senti como uma aberração e rejeitada. Quando eu cheguei no trabalho, no dia seguinte, Robin percebeu que eu estava triste e me perguntou o que estava errado. Expliquei o que aconteceu e, no dia seguinte, ele me mostrou uma carta que escreveu para minha escola. Ele explicou que eu queria continuar estudando enquanto construía minha carreira. Ele escreveu coisas muito gentis sobre meu personagem e meu trabalho, e pediu que eles reconsiderassem e permitissem que eu voltasse a estudar.
Quando disse a ele que não achava que eles me aceitariam de volta, apesar da carta, ele falou: “Isso é como a Anistia Internacional. A escola precisa saber que as pessoas sabem a verdade”.
A escola pôs a carta numa moldura e a pendurou na sala do diretor. Mas eles não me convidaram para voltar.
Msa aqui vai o que importa nesta história. Robin estava lá por mim. Ele ia me ajudar. Eu tinha só 14 anos, mas já via que eu estava em uma indústria em que muita gente está pronta para te dar uma rasteira. E estava muito claro para mim que Robin estava ali para me ajudar.
Eu sei que disse obrigada naquele momento e tenho certeza de que escrevi um daqueles bilhetinhos que meninas de 14 anos escrevem. Mas tudo isso parece insuficiente agora.
Apesar de não falar com ele há muito tempo, eu sempre acreditei que haveria uma oportunidade no futuro de dizer a ele que aquela carta mudou a minha vida. Isso me ensinou que você deve lutar pelo que é importante. Mesmo que sua tentativa falhe, você tentou. Você disse a verdade. Você cuidou de seus amigos. Você lutou.
Nenhum de nós sabe quais batalhas Robin estava lutando, mas sei que as lutas dele não são incomuns. Cerca de 16 milhões de pessoas nos Estados Unidos lutam contra a depressão — e eu me incluo nesta estatística. É real, não é vergonhoso assumir e há ajuda disponível.
Você pode trazer isso à tona, dizer a verdade, ir a uma reunião, falar com seus amigos.
Não estamos sozinhos.
E se você tem alguém em sua vida que é grato por ela — alguém a quem você tenha vontade de escrever um bilhetinho como o das meninas de 14 anos — faça isso. Diga a eles como você se sentiu amado. Que eles fizeram você sentir que fazia parte de alguma coisa e que você não era louco.
Diga tudo isso a eles.
Diga a eles hoje".
Já San Francisco, moradores de turistas de passagem pela cidade foram até a casa que serviu de cenário para "Uma Babá Quase Perfeita" e deixaram ramos de flores de todas as cores, velas, dedicatórias, fotografias e bichos de pelúcia, além de mensagens, em homenagem a Robin Willians na entrada da residência.
"Não posso nem imaginar o que eu seria sem você", "Te amamos, Robin", "Sentiremos saudades" e "Obrigado por tudo", entre outras mensagens podem ser vistas no local que foi a residência da família Hillard. No longa Williams, depois de se separar da esposa se disfarça como uma velha babá para assim ficar perto dos filhos. Por ironia do destino o atual proprietário da casa é um cirurgião plástico de 79 anos especializado em operações de mudança de sexo em mulheres e homens.




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