Scott Derrickson certamente não é um diretor famoso, mas é bem provável que você conheça um filme dele: “O Exorcismo de Emily Rose”, que chegou a ser elogiado pela crítica. Anos depois, Scott volta com “A Entidade”, menos aclamado, mas ainda assim com certo destaque entre as deprimentes safras de filmes de terror lançadas.
Este ano, ele apresenta ao público “Livrai-nos do Mal”, que custou a pequena bagatela de 30 milhões de dólares. Pergunto-me qual o objetivo de tanto investimento em algo tão supérfluo e pouco original? Baseado no livro “Beware the Night”, onde um policial narra as experiências sobrenaturais que afirma ter vivido, o roteiro é extremamente pobre, inverossímil e desinteressante.
O filme conta a história de Ralph, um policial sensitivo, que investiga uma série de crimes inexplicáveis. O longa tenta convencer, mas já peca de cara no início, com a aparição gratuita de figuras completamente estereotipadas, como um homem misterioso de capuz preto (e rosto à la Sith do Star Wars) e uma mulher assassina machucada (que provavelmente fugiu do set de outro filme de exorcismo).
O ritmo segue mais como um filme de ação do que qualquer outra coisa. Pitadas de alívio cômico (é, virou moda), investigações criminais e enigmas (muito menos surpreendentes que os de Scooby Doo) tecem a narrativa que, a todo o momento, promete ter uma grande reviravolta. Mas não tem. Mensagens bizarras em latim funcionam pra criar cartazes sinistros para a divulgação do filme, mas a explicação manjada de “portais para o mundo dos demônios” ridiculariza ainda mais a inteligência de quem assiste. Como se não bastasse, a história introduz sem mais nem menos um padre ex-viciado (lembrando muito o do respeitável “O Exorcista”), que acaba ficando amigo do cético personagem principal.
Em dado momento, por algum motivo (de outro mundo), a entidade demoníaca responsável pelos crimes, interrompe seu objetivo principal e simplesmente se dedica a assombrar os brinquedos no quarto da filha do protagonista. Mas a cereja do bolo está no ápice do filme. Sim, mais uma cena de exorcismo! Arrisco a dizer que qualquer um, que já tenha visto outros filmes com esse segmento, pode adivinhar tudo o que acontece. A pessoa possuída amarrada, as amarras arrebentadas, dois homens rezando as preces com água benta, a pessoa possuída sendo mutilada, o demônio provocando os homens ao lembrar algum podre do passado (não esqueça a voz sinistra), coisas voando, gritos e etc.
No mais, é realmente uma pena. Filmes de terror têm fama de serem ruins. Mas quando não há expectativas, não há decepções. O problema é que, vez ou outra, surge um que promete algo e “Livrai-nos do Mal” é um desses. Pelo visto os americanos vão ter de continuar nas refilmagens dos asiáticos e espanhóis.
(por Glaucio Viana, aluno do 7º Período de Design da UniCarioca)

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