#Crítica Hashtralha: O Doador de Memórias


Sabe quando você espera que o filme seja morno, pois algumas pessoas no elenco (leia-se Taylor Swift) prometem fazer dele um grande fiasco, mas a história consegue te prender e surpreender? “O Doador de Memórias” (The Giver) consegue essa façanha.

Certamente não estamos diante do campeão de indicações no Oscar 2015, mas um filme que merece atenção pela sua singularidade em alguns aspectos. Ratifico alguns e não todos. Essa adaptação do livro homônimo que foi lançado em 1993 se baseia em clichês tão desgastados e apresenta erros e contradições em seu roteiro, mas essas falhas são perdoadas ao colocar-se em contraponto a fotografia propositalmente irregular e a colagem de imagens históricas fictícias e verídicas que propõem uma reflexão diferente do que vimos na maioria dos aspirantes a blockbuster.

O filme se passa em uma sociedade perfeita onde emoções são controladas, desigualdades e alterações climáticas não existem, mas toda essa perfeição foi imposta de uma forma ditatorial e é esse sentimento que leva nosso protagonista Jonas (interpretado pelo ainda desconhecido do grande público Brenton Thwaites) a buscar uma saída desse mundo. Tendo isso como premissa para desenrolar-se o enredo, algumas nuances do roteiro são bem similares a do filme “A Ilha” (2005) de Michael Bay, mas o foco em um público adolescente limita as semelhanças.


Para um filme que, como já dito, que se apoia em clichês para atingir o clímax essa máxima das frases de efeito se aplica muito bem: “ame ou odeie”, porque “O Doador de Memórias” consegue ser óbvio e se pararmos no nível superficial do filme é indicado ao público adolescente, mas sendo extremamente complexo e reflexivo sobre as reais falhas humanas em níveis mais profundos. 

Esse melodrama científico é capaz de mostrar que o ser humano é capaz de atrocidades, porém mostra que apenas um homem é capaz de mudar toda a humanidade e criar algo até então utópico: o mundo totalmente igualitário, harmônico com o meio ambiente e que para isso basta escolher o lado agradável da vida, apreciar cores, sabores e sensações, pois a vida da forma que conhecemos é um milagre e deve ser contemplada dessa forma.

É possível que algumas pessoas digam que ao transpassar-se o livro para a telona a emoção presente tenha sido reduzida, mas a emoção foi o suficiente para ver algumas lágrimas por críticos na sala de exibição. Vale a pena ser assistido? Sim, vale muito a pena, pois ao assisti-lo livre de preconceitos é extremamente surpreendente, mas se nada disso lhe convencer existe um argumento infalível: MERYL STREEP!


(Por Renato Costa, aluno do 3°periodo de Publicidade da UniCarioca)


0 comentário "#Crítica Hashtralha: O Doador de Memórias"

Postar um comentário

Obrigado por seus comentários