Desde o seu anúncio no começo do ano, o episódio de "Family Guy" com a participação dos "Simpsons" estreou no último dia 28 de setembro nos Estados Unidos e depois e somente ontem, quase dois meses depois, no dia 23 de novembro, foi exibido pela primeira vez no Brasil através do canal FX.
Intitulado "The Simpsons Guy", o episódio é repleto de tiradas e referências de como "Family Guy" teria plagiado "Os Simpsons", mas ele já começa com uma indireta bem direta as séries que fazem esse encontro, chamado de crossover. A primeira cena mostra os Griffin assistindo a um episódio de "Modern Family" com "All in Family" e eles comentam sobre os clichês que sempre acontecem nessas produções, como piadas forçadas para mostrar determinadas características de um programa ou outro.
E foi mais ou menos assim que aconteceu nesse episódio. Quando Peter Griffin é expulso de Quahog por causa de suas tirinhas, ele e sua família metem o pé na estrada e acabam chegando acidentalmente em Springfield quando o carro deles é roubado em um posto de gasolina. De cara o patriarca já tira uma onda com a famosa cor amarela dos personagens ao falar para seus familiares não beberem a água local, pois todos pareciam ter Malária.
O primeiro personagem da série de Matt Groenning a interagir com os forasteiros foi o simpático Apu, em seu Kwik-E-Mart. Em seguida Homer aparece e já de cara faz amizade com Peter, através dos famosos donuts, apresentado pelo Simpson ao Griffin. A partir dai os personagens começam a interagir. Além de Peter e Homer, Stewie e Bart, Lisa e Meg, Lois e Margie, além de Chris e o cachorro falante Brian que levam o cão da família Simpson, Ajudante de Papai Noel, para passear.
Da para ver nitidamente na relação de admiração que Stewie tem pelo Bart, como no âmbito das séries, "Family Guy" admira "Os Simpsons" e como elas são iguais e diferentes ao mesmo tempo. Isso fica bem visível na cena que o caçula dos Griffin tenta imitar o primogênito dos Simpsons passando um trote para o Bar do Moe, mas em vez de um trocadilho ele grita para o dono do local que sua irmã estava sendo estuprada, deixando no fim das contas o próprio Bart assustado.
Isso acontece porque a série de Seth MacFarlane bebe na mesma fonte do humor politicamente incorreto dos "Simpsons", mas sem dúvidas em doses maiores, ou seja, "Family Guy" tem piadas muitas vezes mais adultas e diretas do que a série de Matt Groenning. Que por outro lado tem críticas bem mais elaboradas e ao mesmo tempo piadas e referências mais sutis. Talvez por isso mesmo a cena em que Homer e Peter, para tentarem encontrar o carro perdido, montam um lava-carros e sensualizam de shorts curtos e camiseta branca transparente, Uma cena que pode até ser normal em "Family Guy", mas que soou pesada para os padrões de "Os Simpsons".
E é justamente na relação dos patriarcas das duas famílias que podemos ver também como é a relação das duas séries, começa com admiração mútua, eles se conhecendo e trabalhando juntos para recuperarem o carro, depois muda para o conflito quando eles disputam pra ver qual é a melhor cerveja que no final das contas levam os dois a saírem no braço e por ultimo o reconhecimento da importância dos dois quando a disputa entre eles não tem um vencedor, o que mostra que há espaço para os dois programas.
Essa crítica poderia ter perfeitamente terminado no parágrafo anterior, no entanto tem dois momentos, até citados ali em cima, que merecem serem melhores destrinchados. O primeiro é esse do embate entre as marcas de cerveja das séries, a Duff defendida pelo Homer e a Pawtucket defendida pelo Peter. A disputa vai parar no tribunal quando eles descobrem que segunda bebida na verdade é fabricada pela primeira. A cena do julgamento pode ser considerada épica, uma vez que foram colocados lado a lado praticamente todos os personagens de "Os Simpsons" e suas respectivas versões em "Family Guy" como Carl Carson sentado com Cleveland Brown, James Woods e seu personagem homólogo nos "Simpsons", Krusty sentado com Mort Goldman e os prefeitos Adam West e Joe Quimby, entre outros, isso tudo com Fred Flinstone como o juiz.
O segundo momento que merece ser destacado é a luta de proporções homéricas, no melhor estilo Dragon Ball, entre Peter e Homer que durou intermináveis oito minutos. Contando até com a participação de um personagem de uma terceira série, no caso o ET Roger de "American Dad". Uma sequência gigante que poderia ter sido mais curta, uma vez que depois de um tempo já perde a graça.
No geral "The Simpsons Guy" é um bom episódio de encontro de duas grandes séries que mostraram que se admiram e se respeitam, apesar das diferenças entre ambas. Que venham outros encontros por ai, quem sabe da próxima vez com a família Simpson visitando os Griffin em Quahog?
Nota: 8,0





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