#Comic Con Experience: os quatro dias do evento

Foto: Comic Con Experience

Aconteceu de 4 a 7 de dezembro, no São Paulo Expo, o antigo Centro de Exposições Imigrantes, na capital paulista, a Comic Con Experience. Como o próprio nome da CCXP diz, uma experiência aos fãs brasileiros, que para este que vos escreve, foi a melhor de sua vida.

Conheci pessoas iguais a mim, com quem posso conversar sobre as séries, filmes e programas que eu gosto, pessoas que me entendem e têm rotinas iguais a minha. Conheci os fãs que agora também têm fãs, o caso do pessoal do Omelete. Me senti em casa. Não vi confusão. Vi harmonia.

O relato que seguirá a partir daqui, será a minha visão do evento, porque não consegui ver tudo (foi pouca coisa que perdi, mas os acontecimentos mais importantes, eu acompanhei) e também não quero copiar relatos de outros sites.

Se gostar do que ler a seguir, anote na agenda: a segunda edição ocorre de 3 a 6 de dezembro de 2015, no mesmo bat-local.

MAPA DO POST

O texto ficou muito grande, e não vou obrigar ninguém a ler tudo, então vou colocar abaixo um mini mapa dos principais acontecimentos de cada dia para você ir no que te interessar.

Primeiro dia - abertura; painel Chaves; painel Sean Astin; painel Felipe Neto
Segundo dia - quiz Chaves e Chapolim; painel Fox; painel Porta dos Fundos; estreia da série Marco Polo
Terceiro dia - estreia do filme Operação Big Hero; painel Sean Astin; painel Game of Thrones, com Jason Momoa e Lino Facioli; painel Pixar; painel Marvel e os Vingadores; organização do evento
Quarto dia - pré-estreia mundial do Hobbit; painel Warner; painel Jason Momoa; encerramento; organização do evento

Primeiro dia (12h - 22h)

Na quinta-feira, assim que entrei junto de minha namorada (acompanhante nos quatro dias), dei uma volta pelos estandes e me dirigi ao Auditório Thunder, com capacidade para duas mil pessoas. Houve ali a abertura do evento, com os organizadores falando sobre a motivação para torná-lo realidade.

Logo ali, uma nerd perguntou se seria possível dormir no São Paulo Expo de sábado para domingo, já que no dia 7 haveria a pré-estreia mundial do Hobbit. Um cara da Chiaroscuro Studios, sócio do Érico Borgo, do Omelete, disse que eles sabiam que aquele local não era o mais seguro da  cidade de São Paulo, mas que às 23h de cada dia, o pavilhão deveria estar vazio. Ou seja, quem quisesse madrugar na fila para ter certeza de vaga na Batalha dos Cinco Exércitos, o teria de fazer na avenida. E isso aconteceu, mas será assunto mais para frente.

Em seguida, Edgar Vivar participou do primeiro painel no Thunder, e houve uma homenagem ao falecido Roberto Gomez Bolaños, que encheu os olhos de lágrimas. "Não fiquem tristes, ele está em um lugar melhor, o mundo precisa de sorrisos", disse Seu Barriga. Se assim ele pediu, assim será!

Sean Astin foi o segundo a participar de um painel. Os dois que abriram a CCXP no auditório principal, tiveram outros momentos nos dias seguintes, todos muito engraçados. Escolheram a ordem certa para eles aparecerem.


Saindo dali, o destino foi a conversa com o Felipe Neto no Business Summit, uma sala para somente 200 pessoas, destinadas a papos executivos. Era preciso um ingresso específico para entrar ali, mas como parecia que pouca gente havia adquirido, pudemos entrar lá e acompanhar metade do que o dono da Paramaker apresentava. O mais engraçado, no entanto, foi ele dizer que minha namorada e eu tínhamos cara de jogadores de LOL (League of Legends), e que estávamos indo jogá-lo (havia um telão da Xfire destinado a exibição de gamers batalhando), enquanto deixávamos a sala antes do término de seu painel por ali (estávamos tomando frente na corrida para o estande da Paramaker, onde o Nelipe Feto iria aparecer para tirar fotos com os fãs). Ainda assim, este é o pior insulto possível no mundo nerd.

Quem queria visitar todos os estandes, o dia era este. Cerca de 20 mil pessoas (número oficial) passaram pelo São Paulo Expo. Estava tudo bastante tranquilo.

Segundo dia (10h - 22h)

A sexta-feira recebeu somente cinco mil pessoas a mais. Os eventos no Thunder começaram ao meio-dia, com um quiz de Chaves e Chapolim, com a presença de Edgar Vivar, novamente, e da dubladora da Chiquinha, a Sandra Mara. O vencedor ganhou um jantar com o Seu Barriga - uma pena que não deve ter sobrado nenhuma comida para o tal champz -, mas o quiz não foi lá essas coisas, não. A homenagem ao Chespirito, exibida no dia anterior, foi passada mais uma vez, e não deixou de emocionar mesmo os que já haviam assistido.



Perdi o painel da Fox - foi exibido o trailer do próximo Exterminador do Futuro, mas nem curto -, e entrei no Thunder quando o mito Cumpadi Washington aparecia no fim do trailer do novo filme do Porta dos Fundos. Faltava pouco para a exibição do piloto de Marco Polo, série original da Netflix, que estreará no próximo dia 12.

Em tela com imagem 4K e som 7.1, foi exibido o primeiro episódio do "Game of Thrones da Netflix" e diversas cenas do restante da temporada, como uma luta com uma atriz totalmente nua (ó GoT aí) e um spoiler do segundo episódio, de uma decapitação (ó GoT aí²). Quatro atores estiveram lá após a exibição da estreia, inclusive o protagonista Lorenzo Richelmy, que vendeu muito bem seu produto para o público.

Por falar em Netflix, o estande do serviço de streaming distribui biscoitos da sorte com frases de Marco Polo, a costelinha (boa pra caramba) que o Frank Underwood come em House of Cards, e camisas de seus seriados originais numa roleta em que qualquer um podia participar. Dentre os prêmios, havia também pôsteres das séries, botons, aquelas bagaças pra colocar na maçaneta da porta avisando o que acontece ali dentro, e um copo com canudo do Marco Polo.



Terceiro dia (10h - 22h)

Ok que o pavilhão no sábado também só iria abrir às 10h, mas muita gente já estava lá desde bem cedo. Afinal, haveria a primeira exibição no Brasil de Operação Big Hero (Big Hero 6). Houve desorganização neste dia. Como o Auditório Thunder seria fechado para somente mil pessoas, com o intuito de o espaço ficar com cara de sala de cinema e todos conseguirem enxergar a tela e o som 7.1 funcionar melhor, pulseiras foram distribuídas na fila. Somente quem estivesse em posse delas poderiam entrar. No entanto, até quem não queria assistir ao filme, as recebeu, e muitos dos que queriam, não.

Pois bem, assim que entramos, corremos direto para o Thunder. Estranhamos que poucos faziam o mesmo, e nós só soubemos dessa história de pulseira quando chegamos ao auditório e fomos informados que não havia mais vagas, mas a confusão neste dia foi tão grande, que a recontagem indicou que poderíamos entrar. Fui literalmente o ÚLTIMO a botar os pés lá dentro para assistir ao filme. E demos sorte, pois nossos lugares foram próximos à tela.

Nessa desorganização, houve coisa boa. O evento tomou algumas coisas de lição para não errar no domingo, quando haveria algo ainda melhor e mais esperado: a pré-estreia mundial do Hobbit, o fim da saga. E também descobrimos que chegar às 8h não seria suficiente.

Com o lugar garantido dentro do Thunder, poderíamos ficar ali o dia inteiro. Sim, se você entra, você não tem que sair de lá nunca. Se desde o início do dia, o auditório está lotado, e as atrações agradam a todos, quem está de fora na expectativa de entrar, não vai entrar. Quem quiser reclamar, que reclame, mas não é assim somente na Comic Con Experience.

Aproveitando, para fazer duas comparações, a primeira entre a CCXP com a famosa Comic Con de San Diego: a área destinada aos quadrinistas aqui reservou mais espaço que o evento dos Estados Unidos aos autores das HQs. A segunda, entre os dois filmes que foram exibidos: a Disney deu uma sacola de pano de Big Hero para todos, enquanto a equipe do Hobbit ofereceu somente um cartãozinho como brinde.

Sean Astin retornou para mais um painel, desta vez acompanhado de Brad Dourif; Jason Momoa teve o seu primeiro, ao lado do brasileiro Lino Facioli, que faz parte de Game of Thrones; a equipe de Big Hero comentou sobre como foi feita a produção do filme, e a partir daqui, dois painéis merecem mais destaque.



A Pixar exibiu sete minutos do Divertida Mente (Inside Out), que estreia em julho de 2015 e é super engraçado. Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva estão dentro de todos nós. Às vezes, a Alegria some e os demais têm de fazer o papel dela, mas não conseguem. Daí entra em ação a Raiva. Quando os pais oferecem brócolis para o bebê, a Nojinho impede que este venha para dentro. Mas quando ele vem em forma de aviãozinho, não há quem resista. Quando a mãe pergunta para a filha como foi a escola, e não é bem atendida, o olhar dirige-se ao pai, que em sua mente está todo feliz com esportes. 

Assim que nota o olhar da esposa, os personagens na mente do pai tentam descobrir o que está acontecendo, já que estão viajando em outra coisa. E assim, nos aproximamos demais dos personagens da animação, e também descobrimos o que está passando na cabeça dos semelhantes do sexo oposto.

O presidente da Pixar ainda confirmou que em algumas semanas Os uncríveis 2 começará a ser produzido, e disse que Toy Story só terá uma continuação pois surgiu uma história pelo qual um dos criadores estava apaixonado. Ele revelou que essa era a única condição para que a franquia seguisse para um quarto filme, tendo em vista que o terceiro teve um satisfatório desfecho.

Foi exibido ainda um musical emocionante PRA CARALHO do filme Lava, em que um vulcão no meio do mar canta clamando por um amor. Bem lá embaixo, uma vulcão feminina (?) ouve, e pensa que é tudo para ela. Mas enquanto o seu amor não chega, o vulcão vai diminuindo de tamanho, chega a desaparecer, até que, enfim, acontece o encontro de ambos em cima da água. Assista abaixo a um pequeno clipe divulgado há alguns meses. 


Muita gente ficou desde a manhã no Thunder esperando somente pelo painel da Marvel, especial  para os Vingadores. No entanto, foi um lixo. Os caras do Omelete que tiveram de apresentar pois o convidado não pôde vir ao Brasil. Exibiram cenas antigas dos Vingadores, responderam a perguntas dos fãs, deram uma vaga de trabalho no site e a chance de conferir a premiere da Era de Ultron a um nerd que acertou quais são as seis gemas do infinito, e encerraram o painel com um teaser dos Vingadores 3: Guerra Infinita, que terá a primeira parte exibida em maio de 2018 e a segunda em maio de 2019. Os Guardiões da Galáxia apareceram e o clipe foi encerrado com Thanos e a Manopla do Infinito. Todos foram a loucura, e guardar isso para o final fez com que surgisse a impressão de que foi um painel bom, mas não foi. O Marcelo Hessel pôde confirmar ainda o fim das filmagens para o Homem Formiga e que este terá mais de um uniforme no filme.

Após oito horas e meia sentado no auditório, saí às 18h30 e decidi ir embora, já que no outro dia teria de acordar beeem cedo se quisesse assistir ao Hobbit.

Quarto dia (10h - 22h)

Para quem nunca havia andado de metrô, acordar às 4h da manhã para pegar o primeiro trem às 4h40 de um domingo foi algo que só poderia acontecer por um grande motivo. Mas me surpreendi com a quantidade de pessoas que havia no metrô àquela hora. Tinha bastante gente. Desci no Jabaquara, corri, apostei corrida com pessoas que tornaram-se amigos depois, e cheguei na Imigrantes às 5h30. Já havia cerca de umas 400 ou 500 pessoas na frente, e umas 150 haviam dormido lá! Enquanto isso, o São Paulo Expo ainda nem estava aberto! A fila foi feita na rua mesmo, na calçada em cima da ponte.



Quando todos puderam entrar e foi formada uma fila única, com somente uma pessoa ocupando cada lugar, o negócio ficou gigante e deu a impressão de que havia muito mais gente do que imaginávamos que havia antes. No entanto, era só uma  ~ilusão de ótica~. As pulseiras, desta vez, diferentemente do Big Hero, no sábado, foram entregues ainda no estacionamento, antes mesmo da entrada para o pavilhão. Aí dessa vez tínhamos certeza: iríamos assistir ao filme!

A liberação para irmos ao auditório Thunder ocorreu cerca de uma hora ou uma hora e meia antes da abertura do evento, às 10h. Em êxtase, os mil premiados (ou quase isso), gritavam "vai ser épico", em coro, e piraram ainda mais quando houve a notícia de que o filme se passaria em 3D (menos eu, já que nunca tinha assistido nada em 3D por causa do meu óculos, mas ocorreu tudo bem, e a primeira vez não poderia ter sido em ocasião melhor). Richard Armitrage, o Thorin, apresentou o filme, e um grupo de nerds cantou uma música para ele.

Dentro do auditório, visitando a página da CCXP no Facebook, eu via vários comentários de pessoas indignadas por não terem conseguido entrar, mas se vocês queriam ter a experiência do que é uma Comic Con, vocês estão tendo. Comic Con é dormir na fila, é madrugar, é chegar cedo, é ficar horas esperando para entrar, é entrar e não sair mais. Pegar o lugar, pregar a bunda ali. Isso é Comic Con. É esforço. É dar uma de zumbi pra assistir um filme antes de tudo mundo. Se somar os quatro dias, em nenhum dormi mais que cinco ou seis horas por noite. Mas o sono só ameaçou aparecer no domingo, isso quando já estava dentro do Thunder esperando o Hobbit começar.



A Warner Bros exibiu seis trailers: Sniper Americano, O Destino de Júpiter, Golpe Duplo, No Coração do Mar, (Peter) Pan e Mad Max. Em seguida, o novo contratado Jason Momoa disse que assinou contrato para quatro filmes (Batman v Superman, Liga da Justiça, Aquaman e Liga da Justiça 2), e eu perguntei para ele se Batman v Superman deveria ter um vencedor. Assista aqui ao vídeo.

O campeonato de cosplay não acompanhamos, para tentar pegar as promoções do último dia, mas o que encontramos de bom mesmo foi na área dos quadrinistas, já que negociávamos diretamente com eles. No restante, os preços não sofreram muita alteração.

Kaique Pedaes
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