#Sepultura: 30 anos da maior banda de Metal do Brasil

Sepultura do brasil.

No último dia 4 de dezembro o Sepultura completou sua terceira década de vida. Nessa data em 1984 quatro adolescentes mineiros subiram no palco pela primeira vez sob esse nome que anos depois viraria referência no que se refere a rock pesado no Brasil e no mundo. Fundado pelos irmãos Cavalera, Max inicialmente nas guitarras e Igor na bateria, o Sepultura contava em sua primeira formação também com o baixista Paulo Xisto e o vocalista e guitarrista Wagner Lamounier. Em 1985 a primeira mudança, Wagner, que mais tarde formaria o Sarcófago, sai para a entrada do guitarrista Jairo Guedes. Dessa forma Max assume os vocais, mas sem deixar de lado a guitarra.

Formação do primeiro álbum: Paulo, Igor, Jairo e e Max.

Com essa formação eles gravam o primeiro álbum "Bestial Devastation", na verdade um EP, dividindo espaço com outra banda, o Overdose. Pois eles não tinham dinheiro para bancar um sozinho. Desde o começo eles impressionaram com seu som pesado, rápido que era completado pelo vocal gutural. Em 1986 vem o primeiro álbum completo "Morbid Visions" e o primeiro sucesso "Troops of Doom".

No ano seguinte Jairo deu lugar a Andreas Kisser e a mudança é significativa resultando no mesmo álbum no álbum "Schizophrenia". "Trouxe algumas novas influências - heavy metal tradicional e um estilo mais melódico. Foi uma reunião imediata das mentes. Entendemos o que os outros viam musicalmente e nós soubemos que nós poderíamos encontrar uma maneira de colocar todas as nossas influências juntas e fazer o trabalho", afirmou Kisser na época.

Max, Igor, Andreas e Paulo.

E essa foi a formação clássica do Sepultura, que fez a banda se tornar um sucesso internacional, embora ainda pouco valorizado aqui no Brasil. Além "Schizophrenia", eles ainda gravaram "Beneath the Remains" (1989), "Arise" (1991), "Chaos A.D." (1993) e "Roots" (1996). Nesse período o som da banda foi sofrendo uma mutação, saindo Thrash metal e Death metal e flertando com o Groove Metal. No "Roots" a influência do World Music ficou evidente, além de ritmos brasileiros diversos, inclusive indígenas (os Xavantes participaram das músicas Jasco e Itsári, com a banda indo até a tribo interagir com eles), eles acabaram dando início a um novo gênero, o Nu Metal. Isso dividiu os fãs, uns mais conservadores criticaram, mas muitos também gostaram.


Divisão maior aconteceu em 1997, após desentendimentos entre a banda e sua esposa que era empresária da banda, Max Cavalera deixa o Sepultura e vai morar nos Estados Unidos onde posteriormente iria funda o Soulfly, dando continuidade ao tipo de som experimentado em "Roots". Enquanto seu ex-vocalista foi para os EUA, o EUA também veio para o Sepultura na forma de seu novo vocal. Derrick Green foi recrutado no mesmo ano e no seguinte o primeiro álbum com ele era lançado "Against", com a sonoridade já flertando com o hardcore americano. Com essa formação eles lançaram também os álbuns "Nation" (2001), "Roorback" (2003) e o Dante XXI (2006) e um duplo ao vivo chamado "Live in São Paulo" lançado em 2005.

Igor, Paulo, Andreas e Derrick.
Em 2006 foi a vez de outro Cavalera sair do grupo. 10 anos depois de Max, foi a vez de Igor, alegando que queria seguir outros projetos, deixar o Sepultura. Isso não abalou muito a banda porque os membros já esperam por isso. "A gente estava esperando isso acontecer. Ele não estava demonstrando interesse em se dedicar à turnê", afirmou Xisto na época. Logo depois os irmãos Cavalera faziam as pazes, eles não se falavam desde a saída conturbada do vocalista em 1996, e tocam juntos o projeto "Cavelera Conspirancy" onde tocam antigos sucessos do Sepultura e novas canções bem no estilo inicial da banda. Fora isso, Igor se dedica a um projeto paralelo de música eletrônica.

Andreas, Paulo, Derrick e Jean.

Voltando ao Sepultura... Roy Mayorga, que já havia tocado com Max no Soulfly, foi contratado temporariamente para a turnê do "Dante XXI" e posteriormente passou as baquetas para Jean Dolabella que gravou os álbuns A-Lex (2009) e Kairos (2011). Esses três álbuns marcam a volta do Sepultura ao Trash Metal, deixando o Hardcore de lado. Em 2011 mais uma mudança na bateria, Jean, assim como Igor saiu para tocar outros projetos e para o seu lugar entrou o jovem Eloy Casagrande, que aos 21 anos (metade da idade dos demais integrantes da banda) deu uma revigorada no som e no astral do grupo. Nessa vibe eles lançaram em 2013 "The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart" e depois de alguns shows com a banda de percussão francesa Les Tambours du Bronx gravaram um álbum ao vivo na apresentação dos dois na última edição do Rock in Rio realizada também em 2013.

Formação atual: Eloy, Derrick, Paulo e Andreas.

Nesses 30 anos de carreira completados agora em 2014, o grupo foi referênca para muitas bandas, como Slipknot, Korn, entre outras, e sem dúvidas ocupa um lugar de honra na história do Metal. Sepultura do Brasil, de Minas Gerais para o mundo, sempre levando a bandeira verde e amarela para onde quer que for. Que venham mais 30 anos, recusando a se limitar, resistindo as críticas e sem perder as raízes. Atitude e respeito.

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