#Iron Maiden: Bruce Dickinson fala de sua recuperação, álbum novo e crítica a gravadoras


O vocalista do Iron Maiden Bruce Dickinson deu uma entrevista ao jornal carioca "O Globo" publicada na edição da última quarta-feira, dia 12. Na conversa, registrada por telefone há algumas semanas enquanto o músico estava em Paris, ele falou sobre sua recuperação do câncer que teve na língua, o novo álbum da Donzela "The Book of Souls" e principalmente a questão do mercado fonográfico atualmente, confira abaixo os principais trechos.

Tumores:

"Foram nove, dez semanas de um tratamento bem agressivo para os dois tumores que eu tinha. Um na língua, que era o principal, e outro no gânglio linfático, perto da língua, que foi a única razão que me levou ao médico. É um tipo de câncer absurdamente comum hoje em dia em caras com mais de 40 anos de idade, causado pelo mesmo vírus do câncer no colo do útero, nas mulheres. O lado positivo é que, como ele era relacionado a um vírus, minhas chances de sobrevivência eram melhores que as de quem tem um câncer de garganta por outras razões. Quando vieram os resultados, os médicos disseram que as minhas chances de recuperação eram de 70% a 80%, e até mais, já que eu não fumava. Dou graças a Deus por nunca ter fumado"!

Recuperação:

"Deixa eu ver... na última terça-feira (três semanas atrás) eu viajei ao México para dois dias de fotos, fui dar uma palestra em Guadalajara e cheguei em casa na sexta à tarde. E agora (na segunda) aqui estou eu, em Paris! Tive que desacelerar um pouco, não muito. Antes, eu costumava fazer muitas coisas estúpidas. Hoje em dia, eu vou, faço as coisas, volto e tiro um dia de folga. Ainda tenho que esperar uns dois ou três meses até que poder começar a cantar. O resto de mim está sarando bem, mas os tecidos delicados da garganta demoram um pouco mais a se recuperar. A cada dia que passa desde a radioterapia eu me sinto melhor, voltando à normalidade. Meu médico me disse: 'Sua laringe está bem, ela não foi afetada pelo câncer; quanto ao resto, é só relaxar, tudo vai voltar ao normal'".


Novo álbum:

"No começo, a gente não achava que ia ser um disco duplo. Mas quando acabamos de gravar as primeiras seis faixas, tivemos essa certeza. A gente poderia fazer um álbum simples e deixar um monte de músicas de fora, mas elas eram tão fortes que nos decidimos por um duplo".

"Empire of the Clouds", a canção mais longa da história da banda e composta por ele:

"Comecei com algumas peças instrumentais ao piano, e aí me veio o título. Com esse mapa na mente, comecei a trabalhar. Ia para o estúdio todos os dias, e eles tinham um fantástico piano de cauda lá. Eu sou um péssimo pianista, mas quando você tem um instrumento desses nas mãos, qualquer um soa brilhante"!

No mesmo nível dos clássicos:

Acredito que uma música como "Speed of Light" poderia se encaixar perfeitamente no "Piece of mind" (1983). Temos ótimo rock clássico em estilo Maiden, faixas ambiciosas e viajantes, tipo progressivo... Ele vai para todo lado, é um grande disco. Todas as canções foram compostas de forma independente. Quando Steve (Harris, baixista e fundador do Maiden) compôs "The book of Souls", vimos que seria uma boa canção-título para o álbum. E aí eu tinha umas demos de um álbum solo, nas quais eu estava trabalhando, e comecei a achar que a canção de abertura, “If Eternity Should Fail”, deveria estar no álbum do Maiden. A frase de abertura dela era "here's the soul of a man" ("aqui está a alma de um homem"). Parecia até coisa planejada"!



Álbuns vs distribuição digital da música:

"Acho que muitos dos garotos não ligam mais para os álbuns porque há muitos artistas que não ligam para álbuns. Junto com as gravadoras, eles hoje só pensam no download de duas ou três faixas no iTunes ou na porcaria da qual vão fazer streaming no Spotify... O que quer que seja, eles pensam pequeno. Eu não acredito que a atenção do público mais jovem seja mais curta, porque conheço garotos que passam noites inteiras jogando 'Call of Duty'. Não me digam que os garotos têm atenção curta. Eles estão bem, eles sabem no que vale a pena prestar atenção. Isso é o que se chama fazer uma escolha. Eles dizem: 'Ei, esse disco é uma merda qualquer, vou escutá-lo por cinco minutos e depois vou fazer alguma outra coisa'. Mas quando você tem algo que o faça dizer 'Uau, isso é realmente maneiro!', ele vai sentar e ouvir porque vale a pena. E não me diga que as pessoas não fazem isso. Elas fazem com videogames, não há razão para que não possam fazer com a música".

"The Book of the Souls", o 16º álbum de estúdio do Iron Maiden chega as lojas físicas e virtuais no próximo dia 4 de setembro, mas antes disso nesta sexta agora, dia 14, a banda lança o primeiro single "Speed of Light".

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