Todo filme baseado em fatos reais tem uma árdua missão de contar uma história que muitas vezes já é conhecida do público, no caso de "Spotlight" especificamente essa história foi publicada pela imprensa. Porém Thomas McCarthy, que até então tinha como seu trabalho mais relevante o roteiro da animação "Up" (2009), conseguiu mostrar muito bem a "história por de trás da história" publicada pelo Boston Globe no dia 6 de janeiro de 2002.
Em pouco mais de duas horas de filme ele mostra a equipe do jornal norte-americano chamada de Spotlight, holofote em português, que trabalha com o intuito de trazer para a luz histórias que requerem meses de investigação. O fio condutor da trama é quando o novo editor do Boston Globe Marty Baron (Liev Schreiber), ao ler uma coluna do advogado Mitchell Garabedian (Stanley Tucci) denunciando casos de abuso sexual de crianças por parte do padre John Geoghan e que foram acobertados pelo então Arcebispo de Boston, Cardeal Law (Len Cariou).
Baron então designa o Spotlight, formado pelo editor Walter Robinson (Michael Keaton), e os repórteres Michael Rezendes (Mark Ruffalo), Matt Carol (Brian d'Arcy James) e Sacha Pfeiffer (Rachel Mc Adams), a correr atrás da história que na verdade era bem maior do que aparentava, envolvendo quase 90 padres da região durante mais de 30 anos. No caminho até a comprovação por parte das vítimas, o espectador é imerso ao universo jornalistico com seus métodos de pesquisa e de agir, assim como os desafios e censuras que os profissionais da área encaram, muitas vezes dentro das suas próprias redações.
Destaque especial para atuação de Mark Rufallo que está totalmente a vontade em seu personagem e consegue mostrar toda a angústia de Rezendes com a investigação e o desfecho que ela tem no final do longa, foi uma injustiça não ter levado o Oscar de melhor ator coadjuvante este ano. Michael Keaton também está muito bem, mostrando que a estatueta de melhor ator conquistado em 2015 por seu desempenho em "Birdman" não foi a toa. Essa foi a segunda vez que o ator faz um filme baseado no universo jornalístico, o primeiro foi "O Jornal" (1994).
Alias, Keaton pode se considerar um bicampeão da premiação da academia. Se a reportagem original do Spotlight rendeu aos jornalistas do Boston Globe o Prêmio Pulitzer de Serviço Público em 2003, o filme acabou de ganhar o Oscar de Melhor Filme de 2016. Um reconhecimento justo por um trabalho bem feito, que consegue prender a atenção do público em um filme sem muita ação, porém repleto de informação.
Sem dúvida alguma é um longa obrigatório, assim como o "O Jornal", para todo jornalista e para quem quiser se tornar um.
Trailer:
Para quem quiser conferir, segue abaixo o link da matéria original postada em 2002 no site do Boston Globe:
Church allowed abuse by priest for years
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Alias, Keaton pode se considerar um bicampeão da premiação da academia. Se a reportagem original do Spotlight rendeu aos jornalistas do Boston Globe o Prêmio Pulitzer de Serviço Público em 2003, o filme acabou de ganhar o Oscar de Melhor Filme de 2016. Um reconhecimento justo por um trabalho bem feito, que consegue prender a atenção do público em um filme sem muita ação, porém repleto de informação.
Sem dúvida alguma é um longa obrigatório, assim como o "O Jornal", para todo jornalista e para quem quiser se tornar um.
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